4 de fevereiro de 2010

Lula, o Filho do Brasil, de Fabio Barreto (Brasil, 2009)

Fica bem claro (pelo menos para mim ficou) ao longo da projeção que o grande termo para definir este Lula é mesmo "funcional". Tudo que compõe o filme está lá seguindo a lógica deste termo tão caro ao mundo contemporâneo - a começar, aliás, pela sua própria existência, que sentimos ser toda baseada numa lógica de marketing e de exploração de um momento histórico (e nisso não deixa de ser o mais irônico de tudo que o filme não tenha... er... funcionado nas bilheterias). É o termo funcional que explica inclusive a correção "estética" que o filme todo possui: nada dos constrangimentos recentes de um Bela Donna, de um Jacobina, de um Caravaggio. Com bastante dinheiro em caixa, Fabio Barreto chama uma série dos mais competentes técnicos brasileiros (do roteiro à finalização de som e trilha, passando por cada um dos outros aspectos técnicos), e realiza de maneira absolutamente correta cada passo da jornada de Lula, do interior à Vidas Secas ao quase documentário à la anos 70. Cada cena e personagem é estudado para significar algo exato para o desenvolvimento e mensagem do filme ("a jornada de um brasileiro heróico"), e estão na tela o tempo preciso para isso. Tudo está ali, no seu lugar. Só que a ironia é essa: ao tentar o melodrama clinicamente estudado, Barreto mata aquilo que é a chave do sucesso de um bom melodrama, ou seja, o descompensado, o exagero, o excesso, a falta de pudores. Lula se deseja então um melodrama científico. O resultado não podia ser outro: um filme que assistimos a 200km de distância, quase com uma caneta e prancheta na mão marcando "ok" pra cada passo estudado do personagem/roteiro. Ou seja, extremamente funcional porque deseja servir pra todos, o filme, obviamente, não serve pra nada nem ninguém de fato.
(visto no Cinemark Botafogo sala 2)

3 comentários:

André Seddon Markwald disse...

Não fui assistir e acho que não assistirei porque é tremendamente marketeiro ainda mais em ano eleitoral. Adorei o exemplo da prancheta, "funcional" e "ok".

Eduardo disse...

"um filme que assistimos a 200km de distância, quase com uma caneta e prancheta na mão marcando "ok" pra cada passo estudado do personagem/roteiro"

hahaha,
muito bom!!!

Sabrina disse...

Concordo com o André Seddon Markward, hahaha!!!